Travessias

As melhores audições de jazz de 2011

Síntese das melhores audições de jazz de 2011. Duas dezenas de CDs, não necessariamente produzidos no ano passado.  

Nos últimos cinco anos, 2011 foi o que ofereceu a melhor safra para jazófilos. Os músicos europeus, notadamente os italianos, continuaram liderando na sofisticação melódica e na libertação do swing norte-americano. Os CDs de Enrico Zanisi, Claudio Filippini, Antonio Faraò, Giovanni Mirabassi e Anthony Principe garantem eargasms aos mais exigentes ouvintes de jazz. 

No entanto, também merecem destaque: o dueto de Marc Copland e John Abercrombie no CD "Speak To Me"; o CD duplo de Brad Mehldau, gravado ao vivo em Marciac; a renovação oxigenadora do baterista Ari Hoenig, em "Lines of Oppression"; o belíssimo "Institute of Higher Learning" de Kenny Werner com a Brussels Jazz Orchestra, trabalho que Werner dedicou ao mestre e amigo recém falecido, Bob Brookmeyer, a quem creditou a criação da Big Band de jazz, depois transformada em Jazz Orchestra. Marcante também a homenagem da pianista Jessica Williams a John Coltrane, em "Freedom Trane".

Abaixo segue a lista, e em seguida 12 faixas de alguns dos CDs:

ENRICO ZANISI TRIO - Quasi Troppo Serio 

Enrico Zanisi: pianoforte / Pietro Ciancaglini: contrabbasso / Ettore Fioravanti: batteria / NUCCIA - 2009

 

KENNY WERNER with the BRUSSELS JAZZ ORCHESTRA - Institute of Higher Learning

Kenny Werner: piano, arrangements / Brussels Jazz Orchestra directed by Frank Vaganée / Half Note - 2011


JESSICA WILLIAMS - Freedom Trane

Jessica Williams: piano / Dave Captein: bass / Mel Brown: drums / ORIGIN RECORDS - 2011

 

CLAUDIO FILIPPINI TRIO - The Enchanted Garden

Claudio Filippini: piano & keyboards / Luca Bulgarelli: bass / Marcello Di Leonardo: drums / CamJazz - 2011


ANTONIO FARAÒ - Domi

Antonio Faraò - piano / Darryl Hall - bass / André Ceccarelli - drums / Cristal Records  - 2011


DAN TEPFER TRIO - Five Pedals Deep

Dan Tepfer: piano / Thomas Morgan: bass / Ted Poor: drums / Sunnyside Records - SSC 1265 - 2010


ANTHONY PRINCIPE TRIO - New and Old Swing

Anthony Principe: piano / Mauro Sereno: bass / Sergio Mazzei: drums / TRJ Records - 2011


BRAD MEHLDAU - Live in Marciac

Brad Mehldau: solo piano / Nonesuch Records - 2011


MARC COPLAND & JOHN ABERCROMBIE - Speak To Me

Marc Copland: piano / John Abercrombie: guitar / Pirouet Records - 2011


KENNY WHEELER - One of Many

Kenny Wheeler: flugelhorn / John Taylor: piano / Steve Swallow: electric bass / CamJazz - 2011


GIOVANNI MIRABASSI TRIO - Live at Blue Note Tokyo

Giovanni Mirabassi: piano / Gianluca Renzi: bass / Leon Parker: drums / Discograph - 2010


Leszek Możdżer - KOMEDA

Leszek Możdżer: piano /ACT Music  - 2011

 

MARCIN WASILEWSKI TRIO - Faithful

Marcin Wasilewski piano / Slawomir Kurkiewicz double-bass / Michal Miskiewicz drums / ECM Records - 2011

 

THE IMPOSSIBLE GENTLEMEN - The Impossible Gentlemen

Gwilym Simcock: piano / Mike Walker: guitar / Steve Swallow: bass / Adam Nussbaum: drums / Basho Records - 2011


ARI HOENIG - Lines of Oppression

Ari Hoenig   drums, vocals / Tigran Hamasyan  piano, vocals, beat box / Gilad Hekselman   guitar, vocals / Orlando Le Fleming   bass (tracks 1,3,5,8) / Chris Tordini  bass, vocals (tracks 2,9,10) / Naïve Records - 2011

 

MARKELIAN KAPEDANI TRIO - Balkan Bop

Markelian Kapedani: piano / Yury Goloubev: bass / Asaf Sirkis: drums / RED RECORDS - 2011

STEFANO BATTAGLIA TRIO - The River of Anyder

Stefano Battaglia: piano / Salvatore Maiore: double-bass / Roberto Dani: drums / ECM Records - 2011


CHICK COREA & STEFANO BOLLANI - Orvieto

Chick Corea and Stefano Bollani: pianos / ECM Records - 2011


DENNY ZEITLIN - Labyrinth

Denny Zeitlin: Steinway Grand Piano /  Sunnyside - 2011


ERIC REED - The Dancing Monk

Eric Reed - piano / Ben Wolfe - bass / McClenty Hunter - drums  /  SAVANT RECORDS - 2011




Gentil Barreira na Casa D'Arte

"Mais do que apropriar-se das técnicas fotográficas para registrar e produzir arte, Gentil Barreira tem a consciência de que o equipamento é um mero, mas importante instrumento, sabendo, na medida, que o fotografável só existe porque há luz sobre ele". 

Dodora Guimarães, agosto de 2011


Gb_convite_expo_email

Convite_30_jul_frente
Fortaleza - Ceará

Posted July 28, 2011

Siegbert Franklin (1957 - 2011)

 "Existem espaços entre a vigília e o sonho que sempre me fascinaram, momentos lúdicos, formas luminosas flutuantes, texturas sutis como aquelas percebidas nos estados febris de quando criança, memórias do futuro, plano de vôo sobre a terra do nunca…" 

"Eu gostaria de falar sobre uma fantástica arquitetura biológica… mas seria criar limites. Enquanto homem percorro outros caminhos, imagino uma topografia fantasma cuja única lógica seria a possibilidade de nos fazer sonhar".

SIEGBERT FRANKLIN (Fortaleza-CE, 1957 - Ribeirão Preto-SP, 2011)


A primeira vez que escutei o nome Siegbert foi na boca de Bené Fonteles, um importante artista paraense que depois virou baiano, cearense, mato-grossense e, agora, creio, paulistano. O primeiro contato tête-à-tête foi através de José Julião Guimarães, um crítico que muito contribuiu para as artes do Ceará. Julião me apresentou Siegbert em meio a uma feira de arte e artesanato que, na época, havia na Praça Portugal. O que estava no chão sobre um pano escuro, à venda, eram dois ou três desenhos de peixes executados num minucioso pontilhismo que, imediatamente, me remeteu para o trabalho dos artistas "surrealistas" de então, principalmente Batista Sena. Depois o Bené me levou, na galeria que eu dirigia, os desenhos de que havia me falado. Eram desenhos aquarelados profundamente fortes. Cenas de porcos torturando porcos. Isso foi há uns 20 anos, 1978 ou 79, não lembro bem. Gostei tanto que comprei quase a coleção toda. 

A partir dessa compra passei a ter um contato, de certo modo, mais estreito com o Siegbert. Inclusive, tivemos atelier conjunto. Essa experiência de trabalhar lado a lado com o Siegbert foi muito enriquecedora. Vi nascer as suas primeiras pinturas. Não posso dizer que ele era meu aluno, seria uma inverdade. O nosso trabalho, apesar de eu ter entrado na estrada das artes uns dez anos antes, era uma experimentação conjunta, onde o meu conhecimento servia apenas para orientar o turbilhão de idéias e desejos que brotavam na mente de Siegbert e, por vezes, a inexperiência dele não permitia realizar. Ele me mostrava uma desesperada capacidade criativa, eu apenas o orientava indicando as possibilidades de como ele poderia expressivamente materializar essa energia.  ROBERTO GALVÃO /  Agulha # 1 - Revista de Cultura - Fortaleza-Sao Paulo - Agosto 2000

 

Um combate: de um lado a vontade de depuração e do outro um pendor para as riquezas e as surpresas da matéria. Para simplificar, é este o eixo da pintura de Siegbert Franklin.

  Sua pesquisa da rede termina em sintaxe concisa, de notável despojamento. Por outro lado, a atração pela complexidade dos meios proporciona reações sempre mais matizadas, do ponto de vista formal, em seu  trabalho. Por isto sua pintura sabe ser austera, sem renunciar ao frescor da descoberta. Esta, em suas qualidades mais surpreendentes, permite ao artista dominar o ofício com muita liberdade e uma sabedoria que mantém a ambivalência de uma brincadeira.

 Esta ambivalência se inscreve em sua própria história: como inúmeros artistas de sua geração no Brasil, Siegbert Franklin fez da figuração seu ponto de partida. Ainda percorre o caminho em direção à abstração – e o faz a passo porque, bem mais do que um exercício de estilo, esse caminho é pavimentado pela necessidade intelectual de decompor o sujeito da representação. Ou seja: ele o questiona, emprestando-lhe outras luzes; apresenta seu mistério clareado por outros ângulos, que são os do olhar cúmplice, ao mesmo tempo olhar da ambigüidade e da escatologia.                                                          RUY SAMPAIO / Agulha #58 - Revista de Cultura - Fortaleza-São Paulo - Julho/Agosto 2007 

 

                                             L'ombre d'un grand oiseau me passe sur la face…
                                Saint-John Perse [in Anabase]

Ag58franklin1


Era um errante, no bom sentido que isto pode ter para um artista criativo, sensível e inquieto. Não se enquadrava em padrões aceitáveis da nossa sociedade desmemorializada. 

Acreditava piamente na potência do seu próprio trabalho. E era realmente dono de um belo desenho. Instigante e Irreverente. Fazia parte de uma escola de desenhistas locais: Baptista Sena, Leonilson, Maurício Coutinho, Marcus Francisco entre outros de igual importância. Juntava-se a mais nova geração de artistas como Valéria Américo, Simone Barreto, Yuri Firmeza, Jared Domício e Maíra Ortins, com desenvoltura. Como vivemos em um país de memória curta, não é de se estranhar que os jornais locais (Fortaleza) não tenham se pronunciado sobre a morte do Siegbert Franklin.

             RICARDO RESENDE, curador, diretor do Centro Cultural São Paulo, ex-diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

(download)

Posted July 25, 2011

Purgatório Paraíso Inferno

Convitevirtualmonstra


Exposição "Purgatório Paraíso Inferno"

Coletivo MONSTRA [Everton Silva, Franklin Stein, Ise Araújo, Jabson Rodrigues, Lui Duarte, Mychel T.C., Saulo Tiago, Weaver Lima]

Participação especial: Gentil Barreira

abertura: Sábado, dia 14 de maio de 2011, das 16h às 20h

Sobrado Dr. José Lourenço
Rua Major Facundo, 154 - Centro (próximo ao Passeio Público)
Fortaleza - CE
(85) 3101.8826 / 3101.8827

Posted May 12, 2011